
Amanheceu aconchegada. Transportava nos lábios o sabor doce do dia anterior. Levantou-se, acordando aos poucos, foi dar um passeio pelas ruas da baixa de Lisboa.
Voltou para casa à hora de almoço. Mas não se lembrou de almoçar. Alimentou-se de mais uns cigarros, água, música e um livro. Esperou-o bastante mais tranquila do que no dia anterior, mas talvez ainda mais ansiosa. Seria tão bom estar de novo com ele.
Finalmente encontrou-o; depois de correr a rua Ferreira Borges quase toda. Foi um encontro muito desejado e bastante engraçado da forma como começou. As suas mãos tremiam menos, apesar do seu peito palpitar muito mais. Ele ofereceu-lhe um daqueles sorrisos e perguntou-lhe em tom de brincadeira:
– Estavas à minha procura?
Ela respondeu-lhe, também com um ar travesso:
– Nem por isso, procurava outra pessoa... mas como tu és bem mais interessante... (riu como uma menina caprichosa.)
Mostrou-lhe a casa quando chegaram. Acomodaram-se no sofá. Descalçou-se. Pediu-lhe para escolher a música. Ele escolheu Rodrigo Leão – continuava a surpreendê-la, mais uma vez, pela positiva.
Ele perguntou-lhe algo que lhe parecia estar engasgado na garganta...
– Não tens vergonha de me cobrar assim o primeiro beijo?
Coraram os dois! E ela respondeu que não. Mas, de facto, até tinha.
A dada altura, saltou-lhe para o colo, abraçou-o... Continuaram naquele ritual de entrega, de procura, de encontro. Adorava olhá-lo nos olhos. Sentia-o tão especial. Sentia milhares de sensações naquele místico olhar.
Ele tocou-lhe nos pés desnudos... Ela sentiu um arrepio que nunca tinha sentido antes. Até aí não gostava particularmente que lhe tocassem nos pés. Como foi possível ele ter descoberto uma forma magnífica e tântrica de lhe proporcionar arrepios de prazer tocando-lhe apenas com as pontas dos dedos?
Exploraram os corpos um do outro, calmamente, sem receios. Foram descobrindo as formas que povoavam aquelas roupas que se espalhavam pelo chão. Adorou sentir o toque dos dois corpos, o calor que libertavam. O desejo mútuo que os evadia.
Ele tinha mãos fortes e meigas e lábios deliciosamente preenchidos. Foi-lhe beijando cada parte do corpo conforme as descobria. A forma como a olhava, lhe tocava fez com que ela se sentisse maravilhosa.
Ela também o foi despindo, explorando aquele corpo magnífico num ritual de conhecimento. Adorou o cheiro da sua pele e a sensibilidade que ela mostrava, com o toque suave dos seus movimentos. Parecia pele de veludo, com um toque raro de seda. Eram tão boas as sensações que lhe provocava. Cada momento que viviam juntos era fantástico, extasiante.
>>> To be continued...

























