Friday, September 19

Could it be a love story? II – She


Dois olhares que se tocaram

II

She


Abriram os olhos e descobriram-se de novo. Ela estudava cada milímetro da sua cara, tentando conhecer melhor aquelas expressões. Adorava a expressividade dele! Durante o almoço tinha sorrido várias vezes com as suas facetas engraçadas.

Fazia bolas de ar enquanto explicava ou contava algo com entusiasmo. Era extremamente amoroso e, ao mesmo tempo, peculiar. Usava as mãos, os olhos, os lábios, todo o corpo se movia enquanto falava.

Achava tão sensual a forma única de se relacionar com ela. Mesmo antes de se beijarem o seu corpo já vibrava e suplicava para ser tocado. Ele tinha razão em relação ao desejo... Queria-o intensamente, verdadeiramente. Entregou-se.

Quando a noite os envolveu com uma panóplia de estrelas, já estavam rendidos ao desejo que ambos transpiravam. Estava frio. O vento gelava-lhe as faces rosadas de excitação. Era uma sensação que gostava!

Caminharam em direcção ao carro. Desta vez abraçados. Com troca de sorrisos, de olhares penetrantes, de carícias inocentes e até mesmo beijos extasiantes (como também ele os descreveu)... Foi curioso, ela não tinha medo do amanhã. Notou que sentia tudo diferente quando estava com ele. Descobriu, sem saber imediatamente, uma nova forma de felicidade...

Felicidade incondicional sem pensar se iria ou não acabar. Ele disse-lhe o quanto adorava o seu sorriso. Ela corava constantemente e deixava-se guiar pelas sensações. Era muito tímida, por vezes, outras era descaradamente sedutora. "Que menina louca", devia pensar ele, "parecem duas dentro de uma" (hummm... Um ménage à trois com uma só pessoa).


Já estavam há algum tempo dentro do carro. Completamente envolvidos, libertavam sorrisos ou suspiros de prazer. As palavras eram menos frequentes, mas o silêncio era também cúmplice daquela entrega mútua.

Silêncio. Ele era tão, tão fascinante! As expressões do seu olhar eram tão profundas, sinceras. Parecia-lhe extasiado, também ela viajava enquanto ele lhe tocava. Sentia um desejo impetuoso de o ter. Os seus lábios percorreram-lhe as veias até à loucura. Aquele espaço parecia pequeno para tanto desejo, no entanto queria-o mais, mais. Bruscamente, foi ele que saltou do banco do condutor para partilhar aquele onde ela estava. Chamam-lhe o banco/lugar do morto... Mas se existia algo inquestionável isso seriam as vibrações de vida/energia que ali se tocavam. A cumplicidade aumentava. Além das borboletas – será que ele se lembra delas? – que sentia no estômago, agora também palpitava de prazer.

Beijou-o de diferentes formas, ritmos e percorreu cada parte do seu rosto com os lábios. Fez-lhe leves carícias. Ao início sem se aventurar...

Posteriormente, levada pelo desejo, percorreu o pescoço dele com a língua quente de prazer, num movimento que a levava em direcção a um dos seus lóbulos. Ele demonstrava fisicamente o quanto também ansiava tocá-la e ser tocado em todos os sentidos. Discretamente foi descobrindo a sua pele. Primeiro acariciou-lhe as costas, depois expandiu aos poucos os seus movimentos. Ela mostrou-se mais recatada, de início... Não queria mostrar que desejava tocá-lo intensamente. Mas os corpos já se arqueavam, suplicando por mais. Sentiu um dedo, depois outro...

Acariciando um dos seus seios, mas de uma forma tão leve e subtil que quase parecia um sopro. Foi deliciosa a forma como eles foram descobrindo algumas partes do corpo de cada um. Sem pressa, sem pressões... Mas cobertos de palpitações.

Hummm... Ele tocou-lhe mais abaixo na linha que envolve a cintura. Ops! Sentiu a mão dele em contacto com o seu fio dental amarelo. Corou. O que terá ele pensado naquele momento? Deixaram fluir as emoções até... A realidade lhes bater à porta. Tinham que ir. Ele já tinha planos marcados para aquela noite. Ela só queria estar com ele. Pela primeira vez pensou que poderia não o tornar a ver. Pela primeira vez pensou, "foi tão bom pelo que foi" e não pelo que "poderá vir a ser".


[Ana Nogs]


>>> To be continued...

8 comments:

diana said...

Adoro esta história. :)

PavlovDoorman said...

Um ménage com uma só pessoa parece-me bem... Afinal é um ménage mas não se trai ninguém...eheh

A história continua deliciosa de tão cativante...

saves said...

Uma história verídica?!
Está a ser tão bom. :)

Nogs said...

Sim... Saves, é.

De 2005, mas é. Verídica e escrita pelos dois.


Beijooo

Salto-Alto said...

Verídica? e escrita pelos 2? muito bom mesmo!!!

Å®t Øf £övë said...

Nogs,
E foi o início de um amor prometedor, e vivido com toda a entrega e entusiasmo. Só é possível viver o amor em toda a sua plenitude se estivermos dispostos a entregar-nos de corpo e alma. E ao que parece vocês estavam...
Beijinhos.

Oliver Pickwick said...

O melhor de tudo é o desfecho, a moral da história: ...foi tão bom pelo que foi" e não pelo que "poderá vir a ser".

Å®t Øf £övë said...

Nogs,
Passo por cá hoje, apenas para te desejar uma boa semana, e deixar um beijinho.